sexta-feira, 24 de outubro de 2008

A despropósito

A despropósito...

Enraiveci-me e dei conta que rosnava, baixinho, é certo... Mas rosnava!

Sentia o pulso vibrante na carótida, uma força bruta cerrava-me os maxilares. E tenho a certeza de que quem me olhava via, num tom já púrpura, os lábios apertados e os olhos arregalados. Já não sabia ao certo a origem da minha posição, o que me tinha levado ao meu extremo, o verso da página em que sempre me escrevo. Estava assim... Encolerizada! E ai de quem se aproximasse, quanto mais que me tocasse. Possessa? Era isso? Não... Era mais como se o meu corpo se estivesse a descolar da pele e dos ossos, preparando-se para se arremessar de encontra a primeira parede que surgisse. No fim de contas era só ausência de uma paciência que devia ser minha, que não tinha o que saber, nem mundo em seu torno para compreender...

Era só eu que, a despropósito, me enraiveci e rosnei baixinho...

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