sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Desilusão

Que desilusão...

Sinto que falhei (-me/-te)...

Não fui de todo capaz de alcançar um ponto de credibilidade no que já escrevi, algo de que (me/te) possa(s) orgulhar... E esse erro, essa emenda que tenho de fazer, sinto que não sou capaz... Vejo cada passo que escrevo como uma gafe que mais tarde ou mais cedo tem de ser corrigida, mas que por preguiça ou ignorância vai ficar indeterminadamente em suspenso, a aguardar a sua vez... Sinto uma falha a abrir-se sob mim, num momento de ruptura geológica, em que de dentro de uma massa volumosa de rocha, há gritos, entranhas e partos que se rompem e rasgam o rosto do meu chão... Falhei...

Queria escrever tudo tão bem... Certinho e alinhado como nos cadernos de duas linhas da primeira infância... Mas não fui, não sou capaz...

Cada vez que escrevo, que imprimo uma palavra, num gesto que podia ser mecânico, mas que por meios desconhecidos, é ainda estranho, sinto, bem no fundo que... Não... Não está bem assim... Não é este o meu desejo... Queria dar-te por palavras aquilo que nem sei... Mas...

Que desilusão...

Sinto que falhei (-me/-te)...

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